Comece pelo “Ciclo Literário de Lita Maria”
Sou Lita Maria, escritora e doutoranda em Letras, e apresento o Ciclo Literário com as vozes do sertão, projeto literário composto por obras interligadas que exploram o sertão como território simbólico de vozes femininas, ancestralidade, memória, identidade e oralidade. O Ciclo é um projeto literário composto pelos romances O canto da carpideira, Sobre Dora e dores, A casa de Todos os Santos e Mulher de currutela, obras independentes que dialogam entre si pela centralidade das vozes femininas, pela força simbólica do sertão e pela investigação das heranças afetivas, sociais e históricas que atravessam gerações.
Leia gratuitamente: "Esta edição digital de Sobre Dora e dores (bilíngue) é disponibilizada gratuitamente pela autora para fins de leitura, estudo, clubes de leitura e circulação literária. A reprodução comercial, alteração do conteúdo ou distribuição sem indicação de autoria não são autorizadas". Solicite pelo WhatsApp Comercial (63) 99206-1220 Carretel de Rosas)
No coração do sertão ergue-se A Casa de Todos os Santos, um espaço cercado por silêncio, promessas e segredos que atravessam gerações. Cota – Maria Angelita de Todos os Santos – cresce entre silêncios, perdas, segredos de família e a dureza de um sertão onde o destino feminino parece sempre traçado por mãos alheias. Entre a casa pobre da mãe lavadeira e a convivência com a família de posses de Romeão e Gemma, sua infância se constrói entre afetos interrompidos, alianças silenciosas e a descoberta precoce de que ser mulher exige coragem. Mulheres marcadas pela lida, pelo corpo e pela sobrevivência, onde casamento, maternidade e desejo são moedas de troca, nuances marcadas depois que a “casa de família” vira “casa de favores” ou “casa de tolerância”. Com linguagem poética, forte densidade emocional e um sertão pulsando como personagem viva, Lita Maria constrói um romance sobre ancestralidade, culpa, permanência e reinvenção
Sobre Dora e dores tem uma narrativa simples e visceral, revelando o cotidiano sofrido dos moradores do povoado de Campineira do Anu Preto. O romance escancara um enredo de mortes prematuras, de orfandade, de abandono, de doenças conhecidas e desconhecidas do povaréu daquele lugar. O fio condutor da trama é o olhar atento sobre as relações de confiança e desconfiança entre a mulher que chora um defunto alheio – carpideira tarimbada e a moça Dora.
O canto da carpideira revela o cotidiano sofrido, monótono e simples das mulheres, quase anônimas, moradoras dos arredores do povoado de Campineira do Anu Preto, lugar de gente que tira da lida diária, à custa de muito sofrimento, o sustento próprio e o da família. Ali as pessoas nascem pelas mãos da parteira e morrem pela goela da velha carpideira, pranteadeira de defuntos alheios. O romance é centrado nas vozes femininas e nas práticas de luto no sertão brasileiro. A obra articula memória, tradição e linguagem para construir uma narrativa de forte densidade simbólica.
O romance desloca o eixo da casa para a estrada, acompanhando mulheres que vivem e resistem nos espaços marginalizados do sertão, especialmente nas chamadas casas de currutela. As relações entre corpo, nome e sobrevivência dialogam com todas as formas de exclusão.